Prazer e Dor (Travessia Raposos X Honório Bicalho)

Olá amigos das Aventuras! Esta publicação será um relato e super breve.

trilheiro

Fui convidado por um grupo de amigos (Povo de Montanha) a fazer uma travessia de Raposos X Honório Bicalho totalizando 24 km. Vou contar para vocês de forma resumida como foi esta caminhada.

Deixei o meu carro em um estacionamento no centro de BH e tomamos o ônibus 3842 em BH com destino a Raposos na Rua Rio Grande do Sul. Chegando lá, tomamos um café rapidamente e começamos nossa caminhada passando por dentro da cidade até chegar no início da trilha onde, inicialmente era uma subida relativamente leve porém exige um pouco mais do físico pelo fato de corpo estar frio. No início havia pessoas que pensaram que não iriam dar conta, mas logo seguiram o caminho. Foram algumas subidas leves até atingir uma parte plana passando por uma mata semi-fechada com um visual deslumbrante com um corredor de água na parte esquerda fora a fora passando por ali.

O grupo de quase 30 pessoas foram se subdividindo em 4 partes, aos poucos eu iria acompanhando todos e batendo papo. Nos trechos moderados com solo irregular, eu subia praticamente correndo para pegar um pique maior e esquentar o corpo, esperava, voltava para continuar o bate papo com o grupo. O corpo estava super quente e já aquecido. Quando avistamos a primeira parte da subida que teríamos que vencer, estava preparado por tudo que iria vir pois eram subidas longas e alguns trechos bem ingrimes e assim fomos.

Como apoio, fiquei para trás para ajudar os que tinham mais dificuldades e foi aí que começou a minha “Aventura” (Vinícius Xavier).  Não me importava em parar de 5 em 5 minutos para esperar a quem precisava de apoio, porém o corpo só foi esfriando. Subidas e mais subidas onde parecia não acabar mais, quando começava uma pequena reta, poucos metros a frente havia mais subidas e assim foi o nosso caminho. Em meio de dificuldades de alguns no meio do caminho, não relatarei aqui pois o objetivo do post é somente compartilhar resumidamente o que aconteceu.

“Agora sim, a história começa a ficar interessante…”

Quando surgiram pessoas para ajudar quem estava atrás, dei um gás e fui logo adiante num grande pique novamente da forma que gosto. Quando menos esperava, senti uma fisgada na coxa direita na parte frontal e quando dei mais um passo “bummm”, uma tremenda câimbra. Não consegui ficar com a perna firme no chão e logo sentei contorcendo de dor, é uma dor tremenda, a sensação é como se torcesse a perna como um pano, é horrível. Fiquei sentado por 5 minutos massageando a região e fazendo alongamento e quando estava de pé, pensei – Que sufoco!

Mas não acabou por aí, andei três metros a frente e sinto a mesma fisgada mas desta vez na coxa esquerda de uma forma tão grande e dolorosa onde meu corpo não aguentou e caí pelo chão no caminho de terra fofa onde fiquei por ali esticado quase imóvel me contorcendo pensando que minha trilha acabava ali naquele momento, mesmo sabendo que havia mais 14 km pela frente. Estava só naquele momento, pedi a Deus que amenizasse a dor pois é a única pessoa que eu poderia contar naquele momento, mas logo atrás estavam duas pessoas vindo porém bem distantes e logo lá em cima haviam um grupo de pessoas que estavam conosco onde, percebeu minha situação lá em baixo, esticado no sol, imóvel, desceram 3 pessoas para ver o que ocorreu. Fizeram massagem em minha perna, não havia mais água naquele momento, o estoque de água de todos haviam se acabado e estávamos a 3 km do próximo abastecimento.

Fui ajudado por duas pessoas para andar, logo após 5 minutos de caminhada vou para o chão novamente contorcendo de dor e pensava, “Meu Deus, porque comigo?” Comecei a passar mal, minha pressão arterial abaixou (algo onde quase nunca aconteceu comigo), me deram alimento salgado, um pouco de suco que soja que restava e assim continuei o meu caminho. Além de várias pessoas que contribuíram me emprestando um bastão de trekking, contei com duas mulheres que me deram 100% de apoio no restante do percurso. Fui apoiado (abraçado) com uma garota (Julie Ribeiro) ( https://www.facebook.com/julie.ribeiro.357?fref=ts )onde me deu todo apoio e de 10 em 10 minutos eu ia para o chão, e assim com muita dificuldade fui vencendo todos os desafios e subidas pela frente na certeza que iria ter força de vontade de concluir a trilha. Quando faltava aproximadamente 7 km, uma caminhonete passava, o dono de um sítio estava a disposição de nos servir um café da tarde e porções de peticos e já estava quase escurecendo e foi aí que aceitei a carona que caiu do céu! Fomos para o sítio do rapaz onde serviu porções de batata, linguiça, cerveja, refri, água e etc para o grupo e negociamos com ele para levar as pessoas que estavam com mais dificuldade para a cidade mais próxima (Rio Acima). Assim foi feito, chegamos na rodoviária, tomamos o ônibus para Belo Horizonte.

Considerações finais:

Agradeço imensamente ao guia Ricardo Alves ( https://www.facebook.com/ricardobicicletas.manutencao?fref=ts )por ter conduzido esta trilha maravilhosa, onde o mesmo além de guiar a turma, ajudou as últimas pessoas que estavam para trás onde teve total atenção e carinho com todos. Foram diversas pessoas que ajudaram uns aos outros.

Causa das Câimbras:

Com total prazer e satisfação, agradeço por ter acontecido esta experiência comigo pois como diz o título do post, “Prazer e Dor”, pois somente assim conseguimos ainda mais enxergar as dificuldades do próximo quando estão em uma trilha, pude sentir na pele o que é passar dificuldades e por uma fração de segundos tudo poder acabar por ali. Mesmo sendo um administrador do Grupo AventurandoMG, isto aconteceu comigo como pode ter acontecido com qualquer pessoa seja iniciante ou mais experiente. Um dos fatores determinantes no qual surgiram as câimbras foram:

1) Fiquei parado por 3 semanas de caminhadas
2) Muito esforço físico no dia anterior (trekking) – #choque
3) Alimentação que não foi totalmente adequada (falta de sal)
4) Falta de água (a água havia acabado)
5) O sol estava muito quente.
6) Deveria ter alongado o corpo de 30 em 30 minutos.

Conclusão: Todos os itens acima devem ser observados para realização de uma atividade principalmente se tratando de uma caminhada mais longa. Compartilho com vocês esta grande experiência e aprendizado!

Grande abraço e até a próxima aventura, mas sem câimbras! rsrs

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